V Seminário Regional do Patrimônio Cultural consolida rede de municípios e instituições no Sul de Minas

Realizado em Heliodora, encontro reuniu representantes de mais de 20 municípios, instituições especializadas e gestores públicos para debater os desafios da preservação e compartilhar boas práticas desenvolvidas na região

Petrônio Souza; Prefeito Dr. Flaviano; Uillian Santiago; Prefeito Eduardo; Elaine Vanzeli e Janilton Prado
Petrônio Souza; Prefeito Dr. Flaviano; Uillian Santiago; Prefeito Eduardo; Elaine Vanzeli e Janilton Prado

O município de Heliodora recebeu, no dia 14 de agosto de 2026, a quinta edição do Seminário Regional do Patrimônio Cultural, encontro que vem se consolidando como um importante espaço de diálogo, formação e articulação entre municípios do Sul de Minas que atuam na preservação de seus patrimônios culturais.

Idealizado por Uillian Santiago, diretor da Cultura das Gerais, o Seminário chegou à quinta edição ampliando uma trajetória iniciada com a proposta de aproximar gestores, conselheiros, pesquisadores, especialistas e instituições em torno de questões que fazem parte da realidade cotidiana dos municípios.

Nesta edição, mais de 20 municípios estiveram representados, reunindo prefeitos, vice-prefeitos, secretários, gestores de Cultura e Patrimônio, conselheiros, servidores públicos, pesquisadores e profissionais da área. A amplitude da participação reforçou o caráter regional alcançado pelo evento.

Com o tema “Memória como Direito: entre a Proteção e a Permanência”, o encontro propôs uma discussão que ultrapassou a ideia de preservação como simples conservação de bens. A programação colocou em debate o direito das comunidades de conhecer, reconhecer e transmitir suas referências culturais às próximas gerações.

Instituições e especialistas ampliam o debate

Petrônio Souza (Associação das Cidades Históricas); Bruno Fioravante, Zaíra Belloto e Thaís Vieira (IDPC BRASIL); Neise Mendes (Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural MPMG)

A programação técnica reuniu representantes de importantes instituições que atuam no campo do patrimônio cultural, entre elas a Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico do Ministério Público de Minas Gerais, o Instituto de Direito do Patrimônio Cultural – IDPC Brasil, a Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais e o ICOMOS Brasil.

O primeiro painel, “Memória como Direito: Direito à Memória e à Identidade Cultural”, contou com a participação de Thaís Vieira Paiva, secretária-executiva do IDPC Brasil, e Neise Mendes Duarte, analista do Ministério Público de Minas Gerais e integrante da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico, com mediação de Zaíra Bellotto.

Outro debate colocou em pauta um dos assuntos que mais mobilizam atualmente as administrações municipais: os possíveis impactos da Reforma Tributária sobre as políticas de patrimônio cultural. O painel “Reforma Tributária e Patrimônio Cultural: desafios e perspectivas para os municípios” reuniu o historiador e pesquisador Bruno Batista Fioravante e Petrônio Souza, secretário-executivo da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, também sob mediação de Zaíra Bellotto.

A presença dessas instituições, associada à participação direta das administrações municipais, permitiu aproximar diferentes dimensões da preservação: o conhecimento técnico, o direito, a atuação institucional e a experiência concreta de quem executa políticas públicas diariamente nas cidades.

Municípios assumem o protagonismo

Elaine, Neise, Júnior, Sandra, Thaís, Ivana, Elaine, Uillian, Zaíra, Fabrício, Armando, Fábio, Jéssica, Rafael, Maristela.

Um dos grandes diferenciais da quinta edição foi reservar parte significativa da programação para aquilo que está sendo realizado nos próprios municípios.

Ao longo da tarde, os participantes conheceram experiências organizadas em três grandes áreas: Patrimônio Cultural Material, Patrimônio Cultural Imaterial e Educação para o Patrimônio Cultural.

No painel dedicado ao patrimônio material participaram Cachoeira de Minas, Senador José Bento, Lambari e Córrego do Bom Jesus. Na sequência, Cordislândia, Natércia e Silvianópolis compartilharam experiências relacionadas ao patrimônio imaterial. Já Monsenhor Paulo, Careaçu e Heliodora apresentaram iniciativas de Educação para o Patrimônio Cultural.

Mais do que apresentar projetos, a proposta foi colocar em circulação conhecimentos produzidos nos pequenos municípios.

Experiências relacionadas à identificação de bens culturais, inventários, tombamentos, registros, salvaguarda, educação patrimonial, recuperação de bens e envolvimento das comunidades demonstraram que boas práticas de gestão do patrimônio não estão restritas aos grandes centros.

Nesse sentido, o Seminário vem construindo gradualmente uma rede regional de troca de experiências, permitindo que soluções desenvolvidas em uma cidade possam provocar reflexões e inspirar iniciativas em outras.

Existem experiências muito boas acontecendo nos nossos municípios e elas precisam ser conhecidas, compartilhadas e valorizadas. Quando conseguimos colocar gestores de diferentes cidades na mesma mesa, apresentando aquilo que funciona e discutindo seus desafios, deixamos de pensar o patrimônio de maneira isolada e começamos a construir uma verdadeira rede regional”, destaca Uillian Santiago.

Primeira edição do Prêmio Regional Memória Viva

Cerimônia de Entrega do Prêmio de Reconhecimento – Memória Viva – Monique, Edilaine, Elaine, Ivana, Prefeito Flaviano, Uillian, Prefeito Netinho, Prefeito Eduardo, Armando, Luiz Paulo, Fábio.

A quinta edição também ficará marcada pela criação do Prêmio Regional Memória Viva – Reconhecimento às Boas Práticas em Patrimônio Cultural.

Idealizada pela Cultura das Gerais, a iniciativa nasceu com o propósito de reconhecer e dar visibilidade aos municípios que vêm desenvolvendo ações relevantes de identificação, proteção, preservação, salvaguarda, educação e valorização do patrimônio cultural.

Na primeira edição, foram homenageados dez municípios: Cachoeira de Minas, Careaçu, Cordislândia, Córrego do Bom Jesus, Heliodora, Lambari, Monsenhor Paulo, Natércia, Senador José Bento e Silvianópolis. O reconhecimento considerou trajetórias e conjuntos de iniciativas desenvolvidos pelos municípios, e não apenas ações isoladas.

O Memória Viva acrescenta, assim, uma nova dimensão ao Seminário: além de discutir os problemas da preservação, passa também a identificar, reconhecer e divulgar aquilo que está dando certo.

Cerimônia de Entrega do Prêmio de Reconhecimento – Memória Viva

Cinco edições e uma articulação que continua crescendo

Mesa de abertura – pronunciamento do Idealizador e Organizador do Seminário Uillian Santiago.

Chegar à quinta edição representa também o amadurecimento de uma proposta construída ao longo dos últimos anos.

O que começou como um espaço de formação e discussão sobre patrimônio cultural passou a cumprir uma função mais ampla: conectar municípios, compartilhar soluções, aproximar instituições e valorizar equipes locais responsáveis pela execução das políticas de preservação.

Essa articulação ganha ainda mais importância diante dos desafios enfrentados pelas administrações municipais, sobretudo pelas cidades de pequeno porte, nas quais muitas vezes equipes reduzidas precisam lidar simultaneamente com inventários, tombamentos, registros, educação patrimonial, conselhos, fundos municipais, prestação de informações e cumprimento das exigências das políticas estaduais de patrimônio.

O V Seminário demonstrou que enfrentar esses desafios de forma articulada pode produzir resultados muito mais consistentes.

Realizado pela Cultura das Gerais, com apoio da Prefeitura Municipal de Heliodora e parceria institucional do ICOMOS Brasil e IDPC Brasil, o encontro encerrou sua quinta edição reforçando uma ideia que atravessou toda a programação: preservar não significa apenas proteger aquilo que chegou até o presente, mas criar condições para que essas referências continuem fazendo sentido e possam permanecer no futuro.

Depois de cinco edições, o Seminário Regional do Patrimônio Cultural deixa de ser apenas um evento anual e passa a revelar algo maior: uma rede de municípios que está aprendendo a compartilhar conhecimento, reconhecer boas práticas e construir conjuntamente novas perspectivas para a preservação do patrimônio cultural no Sul de Minas.

Se a memória é um direito, garantir sua permanência é uma responsabilidade compartilhada.